quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

A POLÍTICA DO MURO




Era uma vez um paraíso. Em nossos conceitos, era um paraíso imenso, imenso em tamanho, em grandeza, em beleza, em riquezas naturais, imensamente belo, imensamente rico, imensamente próspero. E, como é normal dos paraísos, ali, todos, dizem, que viviam em paz; até que um certo dia, um certo tempo, em que estranhos surgiram e invadiram o paraíso.
De onde surgiram os estranhos, ainda não se sabe. Mas a verdade é que tempos se passaram e o paraíso foi sendo transformado ao gosto desses estranhos. E o tempo parece que não passa, porque os estranhos continuam transformando o paraíso. Inclusive, eles decidiram inventar um muro no paraíso, esse muro a gente olha, mas não vê. É um muro imenso, é um muro que parece intransponível.
Em um certo tempo, os estranhos orgulhosos de si, de seus feitos e de seu muro, decidiram que o paraíso seria dividido, uns ficariam de um lado e os demais do outro lado do muro. E assim criaram uma guerra; esses estranhos estimularam a guerra, provocaram a guerra e incitaram os demais à guerra.
E eles decidiram que, quem fosse a favor de A, ficasse do lado A, quem fosse a favor de B, ficasse do lado B do muro. E o estranho é, ninguém esperava, uma imensidão decidiu que não seria do lado A nem do lado B. Essa imensidão decidiu ficar em cima do muro, mas, como que ninguém vê o muro?
Então decidiram radicalizar, os estranhos; bom, vamos fazer a guerra; armaram seus simpatizantes com todas as armas possíveis e colocaram-se em pé de guerra, um de cada lado do muro, e aquela multidão encima do muro.
E começou a guerra, e para não dizer a vocês como essa guerra acabou, pense quem sobreviveu, o lado que venceu a guerra. E, pense o que é ficar em cima do muro.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A POLÍTICA DA ESPERTEZA





Há dentre nós, muita gente que se vangloria de ser esperta, de não pegar fila, de não pegar engarrafamento, de não parar em sinal vermelho, de não pagar impostos, de não se preocupar com o esperdício de água, de luz etc., ou seja, é boa parte da população orgulhosa de fazer o mesmo, um pouco mais ou um pouco menos, que, via de regra, condena em nossos políticos profissionais, mestres da malandragem.
Significativa parte de nós ainda é, e não é por falta de lições e exemplos, a escória, o lixo, a desonestidade em metástase indiferente ao rastro fedorento e asqueroso que deixamos por onde quer que pisemos, mesmo armados com ares de gente “importante”, como se divinos fôssemos perante a quem nos parece pobre, humilde, simplório...
Essa tal de esperteza já teria morrido de velha se não fôssemos o terreno fértil de que ela precisa para se eternizar, e como pessoas espertas, fazer “melhor” e mais rápido é nosso desafio, o preço será justificado pela alegria compartilhada com nossos iguais.




quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A POLÍTICA DAS FAKE NEWS






     A mentira, assim como a verdade, também está sujeita às interpretações, aos caprichos do ego de quem está com a palavra. Considerando o conceito mais comum da mentira, uma pergunta se impõe, a quem ela pode interessar? Esse recurso sempre me pareceu expediente de certos jovens em certas situações etc., nunca de pessoas que sempre pareceram acima do mortal comum. O que pode mover uma pessoa a acreditar que o fruto da mentira mantê-la-á protegida em todas suas expectativas fantasiosas e/ou raivosas, normalmente, sem demonstrar preocupação com o que, para tantas outras pessoas, não restam dúvidas de que são o bem maior?
     O que é tão forte que mantém uma pessoa na oposição mais nociva a outra, independente dos exemplos, dos fatos lhes furando os olhos, lhe forçando a morder a língua, que forças são essas que levam pessoas aos extremos do amor e da indiferença? E, o que é e por que opera como opera nas pessoas essa disposição de destruir a outra conforme nossas ruas e nossas telas atualmente exibem seus testemunhos sem nenhum pudor?


A MENTIRA NÃO TEM DONO, MAS CONTADOR.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A POLÍTICA DA ORA







     A onda do momento é desagregar, alguém sabe por que tanta alienação?




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terça-feira, 8 de outubro de 2019

À POLÍTICA MILITAR DA BAHIA






Senhores e Senhoras militares que compõem essa nobre instituição, vocês são os verdadeiros heróis e heroínas de nossas "guerras" diárias, das quais, nunca saímos da mesma forma que entramos, pois vocês não são apenas combatentes defensores e defensoras, também são pessoas, pais e mães que travam essa batalha invencível, incansável e, pior, interminável, sem nenhuma certeza de que voltarão para suas casas sãos e salvos para abraçar suas famílias.
Vocês convivem diuturnamente com a realidade que ninguém deseja para si, a ameaça real, não apenas às suas vidas, às de seus familiares também. Mas não há dor que se compare à de seus órfãos e órfãs, viúvos e viúvas. Tudo isso é muito maior que uma profissão, parece até maior que a própria vida, afinal, quantas vidas de vocês já sucumbiram nessa luta, já tombaram e ficaram no percurso doloroso que vocês fazem dia e noite a favor da vida de toda a sociedade?
É sabido que a sociedade nem sempre confere a vocês o valor que vocês merecem e têm. E se essa sociedade é ingrata e até injusta com vocês, infinitamente pior que ela, são aquelas pessoas que detêm o poder de lhes respeitar e conferir a dignidade que, mais que qualquer outra categoria, merece. Por outro lado, ver vocês nessa luta diferente, em defesa direta de seus interesses e direitos, direitos esses, ora desrespeitados por quem melhor conhece a importância e valor de vocês, me leva a vê-los não apenas como militares, mas como trabalhadores como eu.
Digo isso porque em muitas ocasiões, nós civis, na mesma luta em que vocês estão agora, não raramente somos vítimas do arbítrio do poder que impõe a vocês que nos reprimam com seus cassetetes, e que, muitos de vocês atendem a tal determinação como se nos desejassem mortos, quando deveríamos somar forças, afinal, trabalhador respeitado é trabalhador forte. Não há razão para ignoramos que somos operadores do mesmo sistema, portanto, gastar nossas forças contra nós mesmos não passa de um tipo de suicídio lento e doloroso.