terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

SÓ…

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eu sempre estive só,
sem pai,
sem amigo,
sem irmão;
eu sempre estive só,
no meu canto,
no meu pranto;
eu sempre estive só,
sem emprego,
sem teto,
sem pão;
eu sempre estive só,
à revelia do mundo,
em lição.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

SOB SEUS PÉS

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esses tapetes
tão pluralizados,
esses tantos
primeiros degraus,
tão indispensáveis
e tão pisados,
tudo isso
tão coisificado,
e do alto dessa pirâmide...
os coisificadores.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

NO MATO

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eu nasci lá no mato,
onde me sentia,
e apenas eu,
onde até me sentia
mais próximo de deus,
ora presença tão dividida;
e como viver a mesma vida
vou apenas tentando,
quase por tentar,
não há como evitar
a dor da saudade,
da distância,
do prazer,
no mato,
onde o regato,
o recato,
o próprio mato,
era tudo eu,
e hoje por desacato
vejo no mato
os restos meus.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O PREÇO DA PAZ


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não tenho paz,
não tenho lei,
não tenho justiça,
mas fome de tudo,
menos de obrigação;
a paz é da força,
a justiça é cifrada,
a dor é o limite,
a morte, a fronteira,
mas a mentira,
o forasteiro,
a enganação
são grandes armas
são outras leis,
justiça não tenho.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O ESTADO DO PASTO X O PASTO DO ESTADO


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mesmo assim… 
tão vasto,
e, paternalisticamente, farto,
oh! que pasto,
esse
é nosso estado de direito
que dá
a seu jeito,
que condena
até quem não tem defeito;
que mata com suas sobras
do tudo e do nada
e escapa ao melhor
o de melhor sacada,
e à margem
relega a moral,
não questiona
o bem ou o mal;
esqueçam o legal
desde que sua função
ou disfunção vital
não atrapalhe
e agasalhe
seu novo cordial.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O SALTO DO POETA


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parem! parem!
eu estou sangrando, 
eu estou morrendo, 
vocês não veem, 
parem!
todos estão gritando,
todos estão sangrando, 
todos estão morrendo, 
todas as luzes já se apagaram, 
todos os homens já se entregaram
nem o poeta foi poupado,
mas, embora decepado,
ele saiu gritando... 
parem! parem
!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

SE EU NÃO FOSSE UM MONSTRO


https://www.google.com.br/search?q=monstro&espv=2&biw=1366&bih=627&tbm=isch&imgil=ay3SOsUzuqrHjM%253A%253BzSZQqHIU8eQffM%253Bhttp%25253A%25252F%25252Fpt-br.harrypotter.wikia.com%25252Fwiki%25252FMonstro&source=iu&pf=m&fir=ay3SOsUzuqrHjM%253A%252CzSZQqHIU8eQffM%252C_&usg=__kHfnQ812Sb7PHwhMfkLDoTe7Bmw%3D&ved=0ahUKEwjG3Imlp5jRAhXHi5AKHfDwD9kQyjcINA&ei=Vm5kWMbZKseXwgTw4b_IDQ#tbm=isch&q=m%C3%A1scara&imgrc=Er3TfW1GmSs0rM%3A


em sua última versão
ele vem requintado
e rir tão bem
quanto sabe chorar
e papel de artista
é-lhe mera faceta,
em faces diversas
filhas da hora;
seu abraço de urso,
seu sorriso amigo,
seu dente de ouro,
uma vida custou;
seu deus tão terrível,
seu bom inimigo,
seu cérebro cifrado,
sua mão já vermelha,
meu sonho redondo
esquadrinhou;
seu nome de homem,
seu choro infantil,
uma pobre mulher já enxugou;
seu caso e descaso
viu que a vida
via
então lhe furou os olhos
pra negar-lhe a dor.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

JOGO DE PODER


https://www.google.com.br/search?q=jogo+de+poder&espv=2&biw=1366&bih=627&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj-z7zGooXRAhVEhpAKHXyEDmEQ_AUICCgD#tbm=isch&q=poder+da+corrup%C3%A7%C3%A3o&imgrc=hkuhNgl0NIAbiM%3A


          
     O jogo que leva uma pessoa ao “poder”, via de regra, não “obedece” regras, isso porque, à luz dos fatos, as pessoas que têm manifestado ambições pelo poder, em tese, têm colocado essa conquista acima de qualquer pudor. O comportamento de tais pessoas demonstra que elas confiam em que o suposto poder abrir-lhes-á, senão todas as portas, ao menos as que elas acreditam necessárias à “felicidade” pensada, mais uma vez, vitória do conluio pragmático sobre o escrúpulo.
     O país em que vivemos apresenta um repertório vastíssimo de exemplos tão bem registrados e reconhecidos que a ninguém cabe o papel de ingênuo ante a vitrine do terror que se expõe perante todos. Se esses exemplos se restringiam, em tempos idos, ao campo da política, ou eram muito bem escondidos do público ou seus autores eram muito mais competentes, diga-se, o mal era maior, pois ora se espraiam, abundante e escandalosamente, por todos os poderes, inter e intra, institucionalmente.
     A política e o judiciário parecem definitivamente devassados pela sanha luxuriosa do desespero descrente da eternidade que lhes resta, já não cuidam de enganar nem tampouco com os holofotes que lhes pintam com as mesmas tintas, abandonaram de vez as sombras. Também já não parece restar cúmplices, senão circunstanciais, sobrando mesmo, adversários ferozes, ainda que “irmãos”. As posições almejadas, nas escadas da vida, desafiam a integridade que resta na mente, ainda simplória da plateia retardatária, semeando, persistentemente, a descrença nos últimos alvissareiros.
     Em um estado “democrático”, o Poder Judiciário seria a última e sempre viva esperança de correção de abusos, mas no momento em que se perde a confiança nesta instituição, perde-se, igualmente, a esperança em qualquer equilíbrio por direito. Nossos interesses particulares não deveriam jamais se sobrepor aos da coletividade, sob pena de aceitarmos a raia do ridículo como nosso último reduto moral.



“NUNCA O MAIS FORTE O É TANTO PARA SER SEMPRE SENHOR, SE NÃO CONVERTE A FORÇA EM DIREITO, E EM DEVER A OBEDIÊNCIA…”.[1]















[1] Jean-Jacques Rousseau – Do Contrato Social.

sábado, 10 de dezembro de 2016

A POLÍTICA DOS ACORDOS


httpswww.google.com.brsearchq=acordo+pol%C3%ADtico&biw=1366&bih=627&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj23fm18vHQAhVDQpAKHZj0ASUQ_AUIBygC#tbm=isch&q=acordo&imgrc=VHEqfif05kW-vM%3A

     
     É importante que todas as pessoas tenham ou construam a noção mais ampla e imparcial possível do que é política, do que é acordo e do que são as razões que motivam os acordos. Para que consigamos um nível de razoável consenso, precisaremos considerar que vivemos uma realidade conceitual, isto é, onde tudo parece submetido a conceitos estabelecidos por instituições e/ou colegiados, quer arbitrários, quer democráticos. Não parece prudente defendermos que descobertas e invenções tenham sido conceituadas por outrem senão por quem lhes concebera, daí, dicionários para todos os gostos.
     O filósofo alemão, Immanuel Kant, disse: "Tudo o que não puder contar como fez; não o faça! Se há razões para não contar; há para não o fazer."[1] Naturalmente que a teoria é infinitamente simplista ante a praticidade dos acontecimentos. Não obstante a distância entre a teoria e à prática é certo que quem pleiteia direitos não pode se esquivar de deveres, e, assim sendo, acordos feitos sob a sombra da transparência deixam rastros não identificáveis, apontando para procedimentos suspeitos, conluios nocivos, talvez criminosos, contra o que, nem sempre se tem tempo hábil para se impedir suas consequências.
     Este texto tem a pretensão de provocar em cada leitor/a a necessária reflexão acerca do tema e de sua extensão em cada um/a, afinal, é sabido que por mais despudorada que sejam as políticas brasileiras, mais especificamente a partidária, nós, como motor dessa sociedade, é quem lhes molda para ser o que é. O político não veio de um planeta estranho a nós, ele é um de nós, e se ele faz a política podre que temos, é porque nós a fazemos. Cada acordo feito representa um fruto de nossa política, fruto esse que não tem de ser, necessariamente, podre, o que vai depender dos termos que o conceberá.
     Um acordo pode salvar uma cidade, ou exterminar uma nação e qualquer que seja ele a política será sua progenitora e os titulares dessa política terão em nós o suporte que lhes garante a necessária confiança e poder para colocar em prática suas ideias, salvacionistas ou exterminadoras. Percebe-se que ainda prevalece em nós um sentimento que apequena a razão, provocador de um partidarismo não raramente cego, passional, um misto de ideologia pragmatizada capaz de nos reduzir a míseros fantoches despidos de qualquer vestígio de bom senso.

NÓS ESCOLHEMOS SER O QUE SOMOS, NÃO ADIANTA CULPAR BRASÍLIA.




[1]https://pensador.uol.com.br/frase/MTkzMjg1OA/

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A POLÍTICA DA “SALVAÇÃO”

https://catracalivre.com.br/geral/inusitado/indicacao/macaco-adota-filhote-de-cachorro-e-da-exemplo-de-generosidade/
     

     O que seria a política da salvação? Tal política seria uma ideia pensada a partir de um conceito de prática exemplar que resultasse em atitudes capazes de não produzir o indesejável em toda e qualquer configuração. Não se trata de pretender eliminar as diferenças, mas de nos impor a autodisciplina capaz de nos impedir de advogar contra quem quer que seja, isto é, de colocarmos o cuidado para com o outro, da mesma forma que o colocamos para conosco. Só respeitando as diferenças, elas poderão produzir resultados de “nível superior”, resultados esses que serão compartilhados por todos em benefício de todos.

http://arosadotemplo.blogs.sapo.pt/5047.html

     O discurso sobre um ser humano falho e sobre as diferenças das pessoas, ao longo dos tempos, parece alimentar e defender um tipo de emancipação egocêntrica da humanidade como deusa da discórdia, capaz de assegurar práticas absurdas entre pessoas tidas como “normais” e inteligentes. É de conhecimento histórico que, se os absurdos da humanidade não pouparam as vítimas de seus autores, tampouco os poupou. Em verdade, não há premiados pelas práticas do mal, da mesma forma que não parece razoável se considerar vencedores de guerra, quiçá sobreviventes. Ou seja, talvez possamos, em algum tempo, refletir sobre a morte como castigo, uma vez que a eternidade dourada jamais será prêmio para alguém.

https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=578&noj=1&tbm=isch&sa=1&q=amor+perfeito&oq=amor+perfe&gs_l=img.3.0.0l10.24765.28157.0.29987.15.15.0.0.0.0.511.1833.0j6j2j5-1.9.0....0...1c.1.64.img..8.7.1427...0i8i30k1j0i5i30k1j0i30k1j0i67k1.FzXRK-BbD84#imgrc=L7kuJoQPVJzQDM%3A

     Esse tipo de política parece concebível? Partindo de “onde estamos” e de “quem ora somos” é razoável se dizer que não, mas se recuarmos 100 (cem) anos para cada grande descoberta científica, ora já tão simplificada, até banalizada, como o “avião”, por exemplo, podemos ser levados a repensar cada resposta que, apressadamente, salte aos nossos lábios. Que cada um pense o tipo de “políticas” que adotaria para o “futuro” sonhado de sua família, caso dispusesse de todo recurso que julgar necessário. Agora pense se a sociedade, na qual você está inserido, fosse apenas uma grande família e você, seu pai, o provedor. Naturalmente, que um pai zeloso prima pelo bem de seus filhos, contornando qualquer obstáculo que se apresentar com o único objetivo de garantir o bem-estar de seus protegidos.

https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=578&noj=1&tbm=isch&sa=1&q=manh%C3%A3+de+sol&oq=manh%C3%A3+de+&gs_l=img.3.0.0l10.55558.56397.0.58001.4.3.0.1.1.0.139.383.0j3.3.0....0...1c.1.64.img..0.4.391...0i67k1.ayBaojadFEM#imgrc=w5N5Pxs-Y8vDWM%3A

     O despertar para “salvar” a nós mesmos, em princípio, requer essa tomada de consciência, a aceitação do compromisso em prol do outro como se este não passasse de nossa extensão, o exercício ininterrupto da autodisciplina, a renúncia definitiva da desculpa pelo não fazer, a determinação indelével de não retroceder a esse preceito, a consciência intransigente de que seu bem depende do bem do outro e vice-versa. Aceitarmos a sociedade como uma família para a prática de tal política seria tirarmos o máximo de tudo pelo bem de todos, incansavelmente.  Tal prática seria repassada de geração pra geração, e quaisquer que fossem as formas de educar ou formar os jovens, seriam únicas.

https://www.google.com.br/search?q=realidade+nua+e+crua&biw=1366&bih=578&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjc_u252szQAhVJiZAKHZRYCewQ_AUICSgE#tbm=isch&q=arrependimento&imgrc=Je9svtKFLA-22M%3A

     Utopia à parte, as práticas corriqueiras da sociedade, não obstante desenhadas e identificadas, com causas e defensores, elas também não poupam uma ou outra parte, apenas os resultados de sua “justiça”, ordinariamente, seleciona a posição de cada um na fila de seus acontecimentos, incapaz, contudo, de administrar o extraordinário, com o que, vez por outra, surpreendem-se seus pretensos plantonistas. Daí, mesmo que impalatável, percebe-se que o palco em que encenamos é um só, portanto, que não se pode negar que nesse xadrez, somos todos peões.

O ARREPENDIMENTO ATÉ PODERÁ VIR, MAS SEM Ctrl+Z.