sábado, 8 de dezembro de 2018

Retalhos


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=626&tbm=isch&sa=1&ei=LzEMXKHYEMeowgSMlJPgBA&q=horizontes&oq=horizontes&gs_l=img.3..0l10.57972.60021..61019...0.0..0.195.1629.0j10......1....1..gws-wiz-img.......35i39j0i67.gTf-y91Ki0Q#imgrc=72dpQ7jOU-xsBM:



Aquele sorriso espalhado n’alma
Tão aberto quanto os braços dela
Num convite me pede calma
E eu aqui nesta cela;

E esta dor que transformo em pranto
Tão fechada quanto um segredo
A me roubar do mundo enquanto
Sucumbo neste degredo;

E d’um desejo cativo e louco
Sinto-me escravo aos pouco
Um tipo nobre plebeu

A consumir-se embora
Nesta chama que devora
Este amor só meu.


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A POLÍTICA DO PALCO

https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=626&tbm=isch&sa=1&ei=pj__W7XBIsWMwwSTkpX4Cg&q=o+vazio+do+palco&oq=O+VAZIO+DO+PALCO&gs_l=img.3.0.35i39.33730.37201..39589...0.0..0.296.2278.0j11j2......1....1..gws-wiz-img.......0i8i7i30j0i8i30.34rg4EwPpB4#imgrc=tmX8McO59u1-AM:




Senhores, senhoras, senhorias e excelências, a dor do mundo pede, em gritos, que levantemos nossas bundas do sofá e acudamos nossas vítimas, sob pena de não termos a quem sacrificar amanhã. É isso mesmo, todos sabemos que nossa sociedade é uma fábrica de máscaras, e que, incrivelmente, há uma, sob medida, para cada um de nós.
Ninguém ignora que ao violarmos a natureza, instituímos a citada fábrica como salvo conduto para nossa barbárie, mesmo cientes de que as cortinas não fariam, suficientemente bem, o papel de nos esconder da plateia. Já não sabemos viver senão no palco, escapamos à originalidade, resta-nos continuar barbarizando em mão dupla, só assim aprendemos a rir e a chorar. E essa lição nos arranca, sem que percebamos, da cadeira das vítimas, e nos gradua como atores de medíocre banalização.
O teatro se tornou ininterrupto, ninguém pode fazê-lo parar, ele brota do mais profundo e desconhecido mundo de cada personagem, sempre em cena, que já não se prende a um palco particular, apenas obedece a roteiros quase autômatos. E assim, nos matamos reciprocamente, destruímos tudo que não se traduza na falsa certeza da luxúria convincente de que a recompensa está garantida. Não será ilusão?
E a máscara consegue nos fazer acreditar que estamos a salvos, por mais que a certeza torturante, instalada em nosso íntimo, nos contrarie, nos impedindo de deixarmos o palco, onde rimos e choramos a desgraça de nossa dor. Não importa o tecido que nos cobre a face, esta está putrefata, e quer a lágrima, quer o riso, já não traduz senão o descaminho do errante por ausência de caminho.

domingo, 18 de novembro de 2018

A POLÍTICA DA ESCOLHA



A vida é um universo de escolhas em repouso assim como em ação, e cada ser responde, exclusivamente, por aquelas às quais decide dar vida, quer como escudo, quer como espada.


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

esses nossos nós


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=626&tbm=isch&sa=1&ei=Uo7kW-S5AcW2wASUsbTQBw&q=cerebro+e+cora%C3%A7ao&oq=cerebro+e+cora%C3%A7ao&gs_l=img.3..0.33039.36370.0.37482.17.15.0.1.1.0.271.2049.0j8j3.11.0....0...1c.1.64.img..5.12.2051...35i39k1j0i67k1.0.TgKJhsY9NZw#imgrc=P9FSpNXS0y9qiM:


não me mate com seu olhar gelado
tão distante e afiado
a sumir-se em mim,
esse sorriso
a disparar fatalmente,
a fazer-me de gente
isso que resisto ser,
mas há algo que não se manifesta
está escrito em sua testa,
está sobrando de você,
não vejo, não ouço,
mas pressinto,
em nós está se fundindo
um encontro extra-nós
e tão presentes quanto ausentes
escapamos a sós.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

uma vez no Vietnã


https://www.google.com.br/search?q=vietn%C3%A3&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjGn7SEoazeAhXJiJAKHanEBgoQ_AUIDygC&biw=1366&bih=626#imgrc=5BqCcwulkvD-PM:


eu vi a criança
além da criança
que em chamas corria
vestida de dor;
por trás d’uma tela,
ou em frente dela,
aos olhos do mundo
estúpido pavor;
então de joelhos
minhas lágrimas vermelhas
selavam o fim de uma esperança;
eu queria,
mas não vi o homem
só vi sua mão naquela criança.






quinta-feira, 18 de outubro de 2018

macabéias


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=626&tbm=isch&sa=1&ei=_BXJW5PtD8aNwwT7mYOQAw&q=macabeia+social&oq=macabeia+social&gs_l=img.3...50492.54707.0.55717.18.18.0.0.0.0.205.2572.0j15j1.16.0....0...1c.1.64.img..2.11.1776...35i39k1j0i10i24k1.0.DpvZ4M3i7MQ#imgrc=coDeSIDzG4U2vM:



se um dia andamos em pelo
e noutro fechou a geral
como hoje concebê-lo
esse processo de transformação banal?

a sociedade está transvestida
num conceito de roupa sumária
o que esses capítulos de vida
têm de ação revolucionária?

o corpo sempre foi o palco
a roupa nunca mais que cortina
e nós, todas as plateias

nosso olhar, o juiz incauto,
que salva, condena e fulmina,
e todos lhes somos macabéias.



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

o texto


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=626&tbm=isch&sa=1&ei=RvW7W6DKO4KkwATgsImADw&q=bolas+de+papel&oq=bolas+de+papel&gs_l=img.3..0l10.18849.22161.0.23036.14.11.0.3.3.0.179.1310.0j8.8.0....0...1c.1.64.img..3.11.1328...35i39k1j0i67k1.0.IDl3SrYVxrg#imgrc=AIuPpql06LjP4M:



eu amassei meu texto,
atirei-o ao chão e o pisei,
chutei-o,
peguei-o de volta,
amassei-o e amassei-o,
briguei com ele,
joguei-o na parede,
repisei-o, incansavelmente,
senti raiva,
mas ele estava lá, imperturbável,
eu o sentia rir,
e na verdade, eu chorava,
eu o amava como o diabo à cruz,
queria destruí-lo;
olhei-o cansado das tentativas,
já não sentia nada;
estiquei o papel,
li-o e reli-o
nem um pingo de emoção,
eu morria,
rasguei-o em pedacinhos de texto,
atirei-os ao vento
eu senti seu voo sobre mim;
percebi que não se destrói um texto.


domingo, 30 de setembro de 2018

legado de poeta


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=626&tbm=isch&sa=1&ei=UtqwW5CfEsHEwAS9-oiAAQ&q=tudo+e+nada&oq=tudo+e+nada&gs_l=img.3..0l2j0i5i30k1j0i8i30k1l3j0i24k1l4.25345.27142.0.28062.11.11.0.0.0.0.282.1318.0j7j1.8.0....0...1c.1.64.img..3.8.1316...35i39k1.0.0kAzO9f8bvs#imgrc=BSQalR325G3nKM:


eu nada te deixo,
senão os poemas que não escrevi,
as alegrias de quem escapei,
as dores que não senti;
os amores que pensei,
os aplausos das noites que dormi,
o sucesso dos sonhos
que não realizei,
os autógrafos em que me perdi,
as lágrimas que gozei;
o passado
com que gastarás teu futuro
e o futuro
para do presente libertar;
eu nada te deixo,
apenas de mim
o que pelo mundo dei.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

A POLÍTICA DA RAIVA


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=577&tbm=isch&sa=1&ei=Y9-wW43yLISvwgTwnrvYCQ&q=o+bicho+mais+raivoso&oq=o+bicho+mais+raivoso&gs_l=img.3...70863.75398.0.76033.20.16.0.4.4.0.169.1953.0j13.13.0....0...1c.1.64.img..3.14.1528...0j35i39k1j0i67k1.0.fjHJzgYlBnM#imgrc=S8Yb59verFMmrM:


A raiva é um sentimento que potencializa o perigo, inimiga da razão, ela cega quem não percebe sua ameaça e, não raro, "destrói" quem a cultiva.
Nos campos em que a regam, seja no pessoal, no político ou em qualquer outro, ela não apenas prejudica, permite a quem observa patrimônio de Fulano ou Sicrano, tirar vantagens de sua força.
A história tem mostrado que a raiva campeia no campo político, permitindo sequelas nos demais, como poderoso instrumento de vingança, cegando quem a alimenta, perseguindo quam a incita e "favorecendo" quem pousa de espectador pragmático.
A raiva transforma o raivoso em objeto de fácil manipulação, terreno árido, semente perdida no deserto, partido do mal. E as possibilidades da raiva ceder à reflexão são mínimas, especialmente, porque a raiva não convive com a razão.
Não alimentar sentimentos "negativos" é tão importante quanto proteger as pessoas muito suscetíveis contra expedientes que promovam tais circunstâncias. 


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A POLÍTICA DA DESCULPA


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=577&tbm=isch&sa=1&ei=UtqwW5CfEsHEwAS9-oiAAQ&q=a+desculpa&oq=a+desculpa&gs_l=img.3..35i39k1j0l5j0i8i30k1l2j0i24k1l2.3152.6641.0.7838.21.16.0.0.0.0.322.2397.0j9j0j3.12.0....0...1c.1.64.img..9.12.2395...0i10i24k1.0.I6GG1I11gvc#imgrc=k_RGngZqpHh2eM:


A política da desculpa tem se mostrada poderosa e antiga, especialmente para nos "proteger" contra tudo que não queremos de verdade, mesmo que tentemos afirmar o contrário.
A desculpa é gratuita, mas suas consequências são devastadoras, mesmo assim, ainda a usamos como se não fôssemos capazes de compreender essa simples verdade.
Quando não queremos fazer algo, normalmente, encontramos uma desculpa que pareça defender nosso gesto, portanto, nos confortando, e assim agimos, mesmo conscientes de que isso não seja, a rigor, nossa vontade.
Não é fácil acreditar que haja uma só pessoa que nunca tenha usado desse expediente. E isso pode ser aplicado em inúmeras circunstâncias, de modo a nos desafiar e, não raro, ridicularizar.
A política tem se mostrado um campo bastante explorado pela desculpa, em função de inúmeros e variados aspectos, de lamentáveis a lastimáveis.