segunda-feira, 8 de agosto de 2016

DEGRADAÇÃO

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Ao longe,
Um ponto,
Um embrulho esquecido
Um pacote abandonado, talvez,
E pela dança dos passos,
A distância
Perde o título,
O ponto embrulhado…
Ganha vida, se mexe!
E ali,
Entre os que vão e que vêm,
Aquele movimento,
Aquele embrulho vivo a se “incomodar”;
E nem me aproximo,
A visão o traduz,
Compreendo, então;
E ali, ao relento,
Entre o nada, o tudo e o tormento
Alguém resiste
Meio gente.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

PAI X PADRASTO

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Óh, pai!
Eu já te conheço pelas costas,
Embora não saiba, ainda
Se pareço contigo;
Também me sinto órfão, às vezes, pai,
Pois,
Em meus quarenta janeiros,
Já sou tão "velho", pai,
Sem razão, sem utilidade,
O que me faz lembrar,
Quando tão moço,
Sem razão, sem capacidade,
E reflito, pai,
Perseverante, mas temeroso,
Seus quinhentos anos,
De pai.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

CIRCUITO FECHADO

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últimas horas,
madrugada;
primeiras horas,
despertar;
oração, cama arrumada,
banho, café da manhã,
lições de casa;
casa, cozinha, fósforo, fogão, comida,
geladeira, águas,
sabão de prato, pia, talheres.
reflexões, beijos domésticos, até mais;
rua, ponto de ônibus, carro cheio,
gente, olho no relógio, pensamentos mil:
em casa, na empresa, no sonho;
engarrafamentos, sinal vermelho, faixa de pedestre, rua suja, enlameada;
formigueiro de gente, batida policial:
descem todos, mãos pra cima, pernas abertas, tensão!
humilhação, demagogia,
o ladrão disfarça, leva a carteira, o relógio, a paz de alguém;
delegacia, queixa crime, tristeza, novamente humilhação,
desculpas ao patrão, rotina:
liga a máquina, desliga-a, espera as seis, portão da fábrica;
rua, ponto de ônibus, lotação, volta pra casa, lamentações.
banho, janta, televisão,
família junta, novela, jornal das oito, pouca conversa,
cama pronta, preguiça, esposo(a) ao lado,
oração, queixas várias,
sono certo, sonho incerto,

últimas horas.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

BANALIZAÇÃO GERAL

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O inimigo
É um simples e falso amigo,
E este
Inveja aquele;
À mesa da refeição,
Já não se senta a família,
O bom-dia do vizinho
Baila iminente;
O senhor,
Ora é coroa,
E as bodas
Soam cafonice;
As núpcias
Converteram-se em piada;
O homem,
Nunca foi tão caçado,
Antes fosse canibal;
Só a natureza não se ofende
Pelo poder que tem;
Até Deus
Há um em cada esquina.

terça-feira, 28 de junho de 2016

MADE IN BRAZIL

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No começo tudo era natureza
Um mundão de beleza cercado de azul anil
Muita flora, muita fauna com certeza
E um povo livre formando nosso Brasil
           
E quanto tempo durou essa maravilha
Sem progresso e sem qualquer perseguição
Mas veio um dia e invadiram nossa ilha
E começamos outra vida desde então

Chegou um povo sem ninguém saber de onde
Era muita gente estranha sem qualquer educação
Se era rei, se era bispo, se era conde
Foram entrando e não disseram nada não

Daí pra frente o verde foi se acabando
Com a natureza gritando sem ninguém lhe escutar
E pelo tempo que essa terra está chorando
Até parece criança que esqueceram de ninar,

Agora vejo que os gritos dessa terra
São confundidos com outros tipos de agonia
Onde não falta o sofrimento de quem erra
Sem esperança, seja noite, seja dia

E o que um dia fora tudo natureza
Dera lugar a um progresso servil
E hoje sua marca de vileza
É exportada como “Made in Brazil”.

sábado, 18 de junho de 2016

A POLÍTICA DA POLÍTICA

http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/a-expansao-para-o-suburbio-cresce-como-mal-das-cidades/


     O Brasil está vivenciando um momento de importância tal, que talvez nem consigamos enxergar o tamanho dela. Em momentos tão turbulentos é mais comum nos determos na busca por saídas de emergência, é como se estivéssemos em um círculo de fogo e só pensássemos em não morrer queimados. No entanto, não se pode negar que é em momentos assim, que avanços surpreendentes acontecem.
     Os poderes ditos independentes no Brasil, estão passando por um teste de fogo, especialmente o judiciário, uma vez “obrigado” a atuar contra o CÂNCER da sociedade, a corrupção e seus adeptos, sob pena de sucumbir, e até mesmo tornar-se dispensável. Figuras políticas e empresariais, isto é, quadrilhas, tão “eminentes” quanto nocivas ao país, estão sendo acusadas, presas e condenadas por nada mais que assalto ao patrimônio público nacional. O Brasil moderno nunca viu isso, mesmo sendo vítima desse tipo de comportamento, desde sempre.
     Os envolvidos nesse emaranhado criminoso estão em guerra ininterrupta contra tudo e todos que desejam o fim de tal mazela, ou mesmo e apenas só tentam minimizar suas vergonhas. A sociedade, entre dividida e estupefata, assiste o desenrolar dessa novela, incrédula perante o que pode, ou não, acontecer amanhã. Já se pode observar, não apenas avanços nas decisões do Poder Judiciário, mas também passos discutíveis, o que ameaça as esperanças de que se faça “justiça”. Tenham as pessoas de bem, desse país, a coragem e a competência necessárias para não se deter, recuar nem avançar um milímetro que não seja o “justo” no combate à corrupção e ao privilégio em nossas instituições, e poderemos sonhar, sim senhor, com um futuro menos injusto.
     A Lei precisa doer, além de convencer o criminoso de que o crime já não compensa. O fruto do crime precisa ser recuperado, o crime precisa ser punido com multa e pena rigorosíssimas, e o criminoso precisa ter chance de se recuperar, mas com 0% (zero por cento) de chance de reincidir. Ou o país não sabe, não pode ou não quer se libertar do crime.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A ÉTICA E A POLÍTICA

     
https://www.youtube.com/watch?v=1qcf25eGpqs

     A política é recuperável, isso porque os maus políticos não podem ser um “mal irremediável”, mas, para tanto, a política, inegociavelmente, deixará de ser profissão, passará a ser atividade, ninguém mais fará carreira como político. A política será um trabalho, atividade ou função normal, com salários normais, com direitos normais, com aposentadoria normal, isto é, com zero privilégio. Quem continuar desejoso de fazer política concorrerá à vaga de candidato e passará por todos os rigores impostos pela Lei (antiprivilégio e anticorrupção). Todo tratamento devido e recebido pelos políticos em nada será diferente do tratamento dispensado a qualquer outro trabalhador. Igualmente a nenhum trabalhador será negada a dignidade dispensada a um político, ou seja, o respeito em sua total amplitude. Independente de sua atividade ou função, nenhum trabalhador será tratado de forma diferenciada, eis a reforma que mudará a política, os políticos e a sociedade.


https://www.youtube.com/watch?v=nyRiw7m5UoM

     As complexidades atribuídas a essa ou àquela atividade passarão a não existir, na proporção em que nenhum privilégio resultar dela, pois se não há expectativa de ganho que não seja transparente, oficial, não haverá disposição em se correr riscos, até porque, o risco é um elemento da aventura, eliminando-se esta, eliminar-se-á aquele e o fruto que poderia derivar de ambos. Naturalmente que uma “reforma cultural” não será tarefa fácil, mas também ainda não se tem “cura” conhecida para o CÂNCER, e nem por isso os cientistas estão de braços cruzados, descrentes, vencidos. O privilégio, a depender do que represente, à primeira vista, pode até parecer algo inofensivo, mas, se tratando de “concessão discricionária” à custa do dinheiro público, não há o que se questionar, ele representa o câncer da CORRUPÇÃO em sua fase inicial, portanto, extirpe-o como se um câncer patológico fosse. Certamente que mãos sujas não podem tocar um corpo limpo sem que o manche, da mesma forma, também será necessário de um corpo político-jurídico-social isento sobre todos os aspectos éticos e morais etc. e tal, para avalizar tamanha demanda.

httpwww.opera10.com.br201502redacao-proposta-2015-3-qualidade-dos.html

     A política partidária praticada no Brasil, quase que de “cabo a rabo”, funciona como uma porta por onde nada é “proibido” entrar, permitindo-se com isso, todo tipo de política e de político, onde o fisiologismo consagrou-se doutrina político-ideológica, pregada, despudoradamente, independente da praça e da crença. Inclusive, o termo “proibir” virou tabu, nesta mísera “republiqueta”, onde as forças gastas na arte da enganação produzem gerações condenadas à política do ganho fácil, isto é, da lei do menor esforço, o que urge por um combate implacável e ininterrupto, sob pena de se criar a Instituição do Crime. No entanto, inobstante o tamanho do gigante a se “domesticar”, os instrumentos, para tanto, existem, os domadores, embora possam ser raros, também existem, falta apenas a necessária junção desses elementos de modo que resulte na ação prática de convencimento ao criminoso de que o time dele está, irrecuperavelmente, derrotado.

httpsdnoticiaipu.blogspot.com.br201505o-que-todos-deveriam-saber-sobre.html

     A política partidária brasileira foi de tal forma transformada em politicagem, que qualquer atitude anticorrupção, que vise coibir práticas criminosas de seus atores, para estes, soa, no mínimo, como absurda, atitude, inquestionavelmente arrogante, desprezível e truculenta, que não se intimida em ostentar seu desprezo pela ética perante a coisa pública, mas ao contrário, impor-se como autoridade moralmente inatacável sobre os agentes públicos, responsáveis pela aplicação da Lei, com vistas a intimidá-los e assim, escapar às punições. Uma Lei anticorrupção séria pode ameaçar de despovoação a política brasileira.


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sábado, 28 de maio de 2016

A ALIENAÇÃO DE CADA UM

     httpswww.google.com.brsearchq=aliena%C3%A7%C3%A3o&rlz=1C2CHWL_pt-BRBR667BR667&biw=1024&bih=667&source=lnms&tbm=isch&sa=X&sqi=2&ved=0ahUKEwiF_cedgYPNAhWLC5AKHTV6DqAQ_AUIBigB#imgrc=FOvDY0PU7NJ5jM%3A

     A alienação tem níveis, e,  individual ou coletivamente, vamos nos encaixando naquele que nos cabe. Naturalmente que não admitimos ser alienados, mas se conseguirmos nos ver de fora, perceberemos o quanto nos identificamos com o perfil de quem escapou à verdadeira “neutralidade”. Os seguimentos alienantes são os mais diversos,  mas isso só acontece, porque as pessoas aceitam, sem maiores dificuldades, os dois papéis, ora de sujeito,  ora de objeto. A alienação é tão perversamente eficiente, que faz o indivíduo sentir-se “compensado” no processo, independente do papel assumido.
     As paixões, ou falta delas, conduzem ou abandonam as pessoas, respondendo pelo que elas são e pelo espaço que elas ocupam na sociedade. Não parece fácil imaginar alguém despido de sentimentos e/ou práticas alienantes, visto que, não é menos embaraçoso pensar alguém sem “preferências”,  sem “amores”, sem “desejos” etc.  Não falta quem defenda como importante que se cultive ideologias, posições políticas, crenças religiosas, convicções sobre isso e sobre aquilo. E, quase que naturalmente, vamos assumindo nossas posições na vida, tão “armados” com nossas “verdades” que, normalmente, não percebemos o quanto estamos sendo afastados, separados dos entes que nos são caros e amados.
     A alienação funciona de tal forma, que não parece descabido se imaginar uma imposição tão desumanamente hierarquizada que não sobra possibilidades para exceções. Tudo, ou quase tudo, parece obedecer a essa força impositora que a todos cerca e condena. Mesmo pessoas aplaudidas por sua generosidade não escapam ilesas à análise das que “pensam” diferente. Ela parece esconder-se, não em tudo ou qualquer canto,  mas no que nos alimenta, no convívio ou enfrentamento de nossos "problemas".
     As “diferenças” entre nós, em sua grande maioria, têm sido campo fértil, onde a prática da alienação não escolhe o lado para se manifestar nem tampouco o status quo de seus “instrumentos”. É comum se perceber figuras mais que pretensamente letradas e instruídas tão alienadas quanto alienantes, uma vez tão aferradas às suas convicções, que assusta. Ao observarmos a imprensa, especialmente, a massificadora, não raramente percebemos sua condução “profissional” numa direção mais que discutível. E aí cabe perguntar-se: quem, ou o que, motiva ou estimula o formador de opinião? Que força se impõe a ele sobre o outro, e por quais motivações?

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A POLÍTICA DO DIREITO

     
httpwww.bancariosdf.com.brsiteindex.phpoutros-assuntos-2015politica-uma-reforma-para-mudar

     Um mesmo texto legal pode ter entendimentos distintos de distintos julgadores, especialmente no campo jurídico, e aqui, salvo os “críticos habilitados”, ninguém está apto, à revelia da Lei, a asseverar as causas que produzem tais distinções.
     É sabido que doutos senhores, comprometidos, sob juramento, com a defesa da Lei e da Justiça, e do direito por consequência, já colocaram sob suspeição o juramento e o saber que deveriam nortear suas apreciações, permitindo que se amplie os juízos sobre os pretextos que os estimularam a tamanho descaminho.
     É fato que as políticas norteiam as normas, assim como estas se ajustam no âmbito social com vistas a estabelecer a necessária convivência entre os indivíduos. E é nesse espaço que a imposição do direito ao direito, voluntário ou involuntariamente, surge e se estabelece, forjando mais que a si mesmo, trazendo o “caos” que exigirá uma política para discipliná-lo.
     A disciplina do direito nasce e um eterno e crescente emaranhado de Leis se compromete em orientá-la de modo a trazê-lo para o mais próximo possível da Justiça, não cabendo ao acaso, portanto, e certamente, o pomposo título aos palácios do poder judiciário, país afora, já embotado pela ironia, de: Tribunal de Justiça.
     Outro aspecto preocupante, para não dizer lastimável, advém das casas legislativas, responsáveis naturais pela elaboração das leis, tendo em vista a hombridade daqueles que as compõem. Naturalmente, que tamanha lástima se dá pela ausência de pessoas comprometidas com o bem como um direito.

httpwww.porquegenteeassim.com.brposta-forca-de-vontade-tem-poder-imensuravel68

     Portanto, como já disse Rousseau, e sempre atual, “Nunca o mais forte o é tanto para ser sempre senhor, se não converte a força em direito, e em dever a obediência;…”, eis aí o direito que de fato há. Direito é força. Quisera a sociedade que houvesse a política do direito como há o direito da política; o que se percebe é um caos onde o direito não ultrapassa a subjetividade de seus profissionais, tendo em vista os “pesos na balança da justiça” de cada um.

domingo, 8 de maio de 2016

BRASILIDADE


http://sosamazonia.org/desmatamento/sos-amazonia-alerta-sobre-o-desmatamento-indiscriminado-da-floresta-amazonica/attachment/urandir-alerta-desmatamento-da-floresta-amazonica-no-brasil

Essa é a crônica, 
Cômica e irônica
Povo esse
Com muito
E com pouco dinheiro,
Festivo,
Até hospitaleiro,
Sobrevive a tudo isso:
Corrupção crônica,
Democracia irônica,
Verbas astronômicas
E assim segue o Brasil
Sua trajetória cômica,
Com sua dívida astronômica,
Sua apelação hipócrita e cômica;
É por esse meu Brasil de longa idade
E por esses meus irmãos que sinto pena,
Mas se um dia,
Mudar, pra melhor, esse sistema,
Eu prometo rasgar este poema.